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sábado, 14 de abril de 2012

1996 - Argentina, Chile, Bolívia e Peru (Machu Pichu)

              Em 1996 fomos a Machu Picho, de carona.
Recebemos o convite no retorno de nossa primeira Oktoberfest (Blumenau-SC), e aceitamos. 
Após algumas reuniões em nossa casa para planejamento,  emissão de passaporte e vacinas , partimos no dia 20/12/1996, as 05:30 hs para deixar o carro na casa de  Salomão e Cleusa, que foram com seu valente Lada.
Nosso cachorro, o Ruffols, que não quis ficar na casa de ninguém nos seguiu até a metade da rua, ponto mais alto, onde segundo vizinhos, "fazia plantão" diariamente a nossa espera - uma vizinha o alimentou durante o período.
Nosso filhos - Renata e Marcelo - ficaram na Praia do Santinho (Floripa), com os tios Carlinhos e Regina - período muito bom segundo eles.
            As 06:00 hs partimos de Floripa em direção a Lages, chegando em Dionisio Cerqueira, divisa Brasil/Argentina,  por volta de 13:30 hs.
Passamos por Posadas e Corrientes, norte da Argentina, chegando a Resistência por volta de 22:00 hs. Foram 1.400 Km no primeiro dia.

No segundo dia fomos até Salta, depois de passar por San Salvador de Jujuy.  A RN (Ruta Nacional) 16 estava em péssimas condições e fomos ziguezagueando até a RN 34.
Chegamos em Salta após o anoitecer e nos hospedamos no Hotel Colonial, na Plaza 9 de Julho, após percorrer 950 Km.

No terceiro dia o percurso foi menor - cerca de 450 Km até San Pedro de Atacama - Chile.
Partindo de Salta as 07:00 hs, seguimos para o Chile pelo Paso de Sico, melhor caminho na época, em estrada de rípio, com muita poeira. Após algumas horas, margeando rios temporários, que só tinham água em abundância na época do degelo, avistamos aos primeiros montes da Cordilheira dos Andes - a emoção foi grande e na primeira oportunidade fizemos a primeira foto (filme Kodak, aza 200, 36p). 
A subida da Cordilheira foi linda - a paisagem mudava a medida que subíamos e um enjoo ia tomando conta de nós - era o "soroche" ou "mal das alturas", causado pela diminuição do oxigênio, nada que não pudéssemos superar.
          A primeira "cidade" no caminho foi San Antônio de Los Cobres, num ambiente seco e inóspito (foto ao lado), onde paramos para apreciar a paisagem e tomamos um café feito em "liquinho" na beira da estrada.
Após passagem no "Controle Fronterizo" argentino de San Antônio, 140 Km a frente chegamos ao Paso de Sico, onde tivemos a bagagem revistada, mas não tivemos problemas (a fiscalização chilena é rígida quanto a entrada de produtos in natura, para evitar principalmente a disseminação da "mosca das frutas").
Por volta de 17:00 hs chegamos a San Pedro de Atacama, no deserto mais seco do mundo. Após alguma procura, nos hospedamos no Hotel La Casa de DonTomaz.
Após um bom banho e descanso, saímos pelas ruas sem calçamento para jantar. Era um visual de cidades mexicanas em filmes de "cowboy". Chegamos a um lugar "assustador" - pessoas paradas na porta de um estabelecimento com uma pequena placa escrita Restaurante, ou coisa assim, que parecia um "buteco de subúrbio". Entramos, e para nossa surpresa, aquele ambiente de chão batido, com cachorros deitados em alguns cantos, parecia uma "Torre de Babel". Ouvia-se vários idiomas - inglês, italiano, alemão, francês, além de outros que não identificamos. O jantar foi um "Lomo com Papas Fritas", acompanhado de uma boa cerveja.
Na época, a energia elétrica era por geradores e desligada as 22:00 horas, então não pudemos nos demorar muito.

No dia seguinte, quarto dia, Salomão e Cleusa resolveram retornar pelo sul - Vina del Mar, Santiago, Buenos Aires, Montevideo, etc, e assim o fizeram.
Nós, visitamos o Museu, a Igreja e a feira, o povoado de Toconao, Salar Reserva de Los Flamencos, e seguimos em direção norte pela Ruta 5, ou Rodovia Panamericana, pernoitando em Iquique.  Foram mais 450 km de retas e cânions, num visual indescritível, que a melhor câmera não consegue mostrar - coisa para ficar na memória.
No quinto dia, após o café da manhã no Hotel Príncipe de Gales, onde soubemos que ali não chovia há 12 anos, molhamos os pés no Oceano Pacífico e seguimos viagem. Mais 290 km de deserto e chegamos as 14:00 horas na Feira de Arica, entrada da cidade. Ali nos deparamos com uma diversidade de produtos, que não fazíamos idéia de onde vinham - os cânions.  Almoçamos e seguimos para o centro - nos hospedamos em um hostel próximo a Praça Brasil.
Era véspera de natal. Tomamos um chopp na praça, andamos pela cidade e no quarto do hostel jantamos um "pollo" (frango) com gosto de peixe (devido a ração).

25 de dezembro de 1996, sexto dia. Fomos conhecer o Lago Chungará, a apenas 150 km de Arica, mas 4.500 metros mais alto, onde recebemos um belo presente - a neve.
Foi nosso primeiro e até hoje único Natal com neve, e Tetê não resistiu - mesmo sem roupa adequada, saiu do carro para a foto.
Passamos por Parinacota (abaixo) e seguimos até o Lago Chungará, onde apreciamos um visual maravilhoso do lago, com o Vulcão Parinacota ao fundo.
Retornamos para o calor de Arica bem "zonzos" devido a altitude - mascar folhas de coca não resolveu.
Rodamos pela Avenida (costanera) San Martin e visitamos o Morro de Arica. 
 
No sétimo dia não descansamos. Seguimos para La Paz, passando novamente pelo Lago Chungará, revendo aquele visual maravilhoso. Entramos na Bolívia pela RN 4, seguindo pelo altiplano andino até chegarmos por volta de 16:30hs. Nesse dia percorremos  450 Km. Em La Paz nos hospedamos no Hotel Glória, próximo a Praça San Francisco. Rodamos um pouco pela cidade, até o Estádio Hernando Siles (3.600 m.s.n.m.), visitamos o Mercado Central, tomamos um chá de folhas de coca para amenizar o soroche, comemos bolinhos na Praça e retornamos ao hotel, onde antes de dormir tomamos um Pisco Souer - cortezia.

No dia seguinte, oitavo dia, seguimos cedo com destino a Puno. Almoçamos em Copacabana, as margens do Lago Titicaca, depois de atravessarmos de balsa o estreito de Tiquina, que quase divide o lago. Entramos no Perú por Yunguyo, onde tivemos problemas com a documentação do carro, resolvida em Puno, onde chegamos por volta de 17:00 hs, mas só fomos liberados no início da noite. 290 Km nesse dia.


No nono dia não andamos de carro. Navegamos no Lago Titicaca, visitando as Ilhas Flutuantes dos Uros e a Ilha Taquille. Subimos 538 degraus irregulares para chegar ao único povoado taquillenho. Na metade da tarde retornamos para Puno, e jantamos Ceviche Peruano.


No décimo dia, rodamos 390 km até Cuzco, a maior parte em estrada de chão. No trajeto, além da paisagem exuberante, avistamos llamas vicunhas e alpacas. Passamos por Juliaca, Sicuani e Urcos,  chegando a Cuzco no final da tarde. Nos hospedamos num hotel em frente a Plazoleta Espinar, a uma quadra da Plaza de Armas, onde fica a Catedral, edificada entre 1560 e 1664.

No dia 30/12/1996, 11º dia, fomos a Machu Pichu. Seguimos de carro através do Vale Sagrado até  Ollantaytambo, cerca de 90 km de Cuzco, ponto mais próximo de Machu  Pichu acessível de carro.
Em um trem comercial, margeando o Rio Urubamba, seguimos até Águas Callientes, onde tomamos um micro ônibus que nos levou até monte Machu Pichu. Foi um dia maravilhoso conhecendo a Cidade Perdida dos Incas. Regressamos no final da tarde, num trem superlotado, mas muito divertido, apesar do cansaço. Chegamos a Cuzco por volta de 22:00hs.

12º Dia - Revellion em Cuzco. Nesse dia saímos cedo e conhecemos Sacsayhuaman a 3  km de Cuzco, KenkoTambomachaye e Pisac no Vale
Vale Sagrado dos Incas - 60 km ida e volta. Retornamos na metade da tarde e descansamos até a noite - quando a cidade ficou uma loucura - parece que todos saíram às ruas para comemorar a chegada do Novo Ano. A Avenida do Sol estava tomada por ambulantes que vendiam todos os tipos de "churrasquinhos" e batatas assadas - o cheiro que querosene infestava o ambiente. Nossa Ceia de Revellion foi na Plaza de Armas, com vista para a Catedral. Meu relógio marcava 3 horas - meia noite na hora local.

Nos dias 01 e 02/01/1997, 13º e 14º dias permanecemos em Cuzco. A essa altura já estávamos perfeitamente adaptados a altitude.
Nosso carona foi a Lima de avião e nós, ao aguardarmos, aproveitamos para descansar e passear pela cidade, que é maravilhosa.


No 15º dia, iniciamos o nosso retorno. Tomamos a Ruta 3S, a mesma da ida, até Combapata. Tomamos então a Ruta 28 e várias outras para Arequipa, chegando ao entardecer. Foram cerca de 450 Km, boa parte em estrada de chão. Paramos na Plaza de Armas,
tomamos um "café" e seguimos em direção sul pela Ruta 1S, ou  Panamericana Sur. Com muita neblina e baixíssima visibilidade, chegamos em Islay, onde a rodovia acabou no portão do porto, as margens do Pacífico - eu estava ao volante e tomei o caminho errado, 56 Km fora da Panamericana. Passei a "boleia" e retornamos para a Panamericana. Seguimos mais 166 km de tensão, e chegamos a Moquégua a 01:00 h onde pernoitamos. Percorremos nesse dia 790 Km.

No 16º dia (04/01/1997), em decorrência do stress da noite anterior, que talvez tenha sido apenas a "gota d'água", houve um desentendimento entre carona e nós, caroneiros. A partir daí fui incumbido de dirigir e depois de passar por Tacna, Arica, e Calama, chegamos no final da tarde em San Pedro de Atacama (880 Km) para pernoitar.

No 17º dia retornamos até Salta (450 Km - rípio) e no 18º até Posadas (1.150 Km), sempre comigo ao volante.

Partimos de Posadas as 16:00 hs do 19º dia e desembarcamos de um ônibus da Viação Catarinense as 16:30 hs do dia 08/01/1997 (20º), na rodoviária de Floripa - 1.115 Km em 24 horas.

Foram 20 dias e quase 10.000 km rodados, numa viagem que apesar dos últimos 4 dias foi maravilhosa.  Tão maravilhosa que depois de 15 anos fizemos este relato, baseado apenas na memória (obviamente as fotos ajudaram a relembrar).

Dica de Viagem: Não viaje mais de dois dias no mesmo carro (seu ou de outro) com alguém que não seja mulher/marido e/ou filhos - permanecer juntos demasiadamente, pode causar danos irreparáveis. Seja franco, diga não e o porquê, e mantenha a amizade.